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Evolução dos Instrumentos de Escrita

Os instrumentos mais utilizados para escrever, desde a Idade Média até ao início deste século,  foram simples penas de ave talhadas. Mas a sua rápida degradação levou a que se procurassem alternativas mais duráveis. As primeiras referências a tentativas de fazer plumas em metal remontam ao Século XV, mas até ao Século XVIII só foi possível produzir pesadas réplicas das penas de ave, inadequadas para uma produção em massa. Só com a utilização do aço, no Século XIX, é que os aparos metálicos se generalizaram. Ainda assim, a sua ponta gastava-se depressa demais, pelo que se começou a utilizar o rubi na ponta dos aparos para que estes durassem mais, o que tornava esses aparos muito caros. A descoberta do irídio, do ródio, do ósmio e do paládio, metais especialmente resistentes que substituiam o rubi, permitiu finalmente a produção em massa de aparos duradouros e acessíveis. Para assegurar uma vida ainda maior a aparos de alta qualidade, o ouro começou a ser usado em substituição do aço.

Publicidade à Sheaffer Balance (anos 30)
Imagem gentilmente cedida por David Nishimura (The Vintage Pens Website).

Waterman 0502 Chased
Imagem gentilmente cedida por David Nishimura (The Vintage Pens Website).

Paralelamente, desenvolveram-se esforços para dotar as penas de um reservatório de tinta, que as tornasse independentes do tinteiro. A referência mais antiga a essas pesquisas consta num manuscrito egípcio do Século X, mas só no Século XVII é que tiveram continuidade no mundo ocidental. Inúmeras patentes foram registadas até ao final do Século XIX, mas nenhuma conseguiu assegurar um fluxo de tinta seguro e regular, de forma a tornar possível uma escrita tranquila. O problema, que residia na necessidade de assegurar a entrada de ar no reservatório para substituir a tinta que saía, só encontrou solução nos anos 1880. Apesar de não se poder considerar que tenha sido o inventor da "moderna" caneta de tinta permanente, a verdade é que Lewis Edson Waterman registou em 1884 a patente de uma caneta com reservatório e um alimentador de ebonite por baixo do aparo. A abundância de aparos baratos que, precisamente nessa altura, se começou a verificar permitiu o desenvolvimento de um novo negócio florescente: a fabricação de canetas de aparo com reservatório independente.

O problema seguinte que essa indústria teve de resolver foi encontrar uma forma prática e limpa de encher o reservatório. A primeira solução adoptada foi a mais simples: a caneta enchia-se com um conta-gotas, sendo depois fechada tão hermeticamente quanto possível... Em seguida, as canetas começaram a armazenar a tinta dentro de um saco em material fléxivel. Com uma alavanca lateral ou um botão no topo do corpo, esse saco era esvaziado, para que depois sugasse tinta de um tinteiro, directamente pelo aparo. Só que os sacos ao fim de algum tempo tinham tendência em romper-se, com os inevitáveis resultados desastrosos. Foi por isso que se desenvolveram vários sistemas alternativos, desde o "Vacumatic" da Parker, ao enchimento por pistão dos contrutores alemães Pelikan e Montblanc ou ao prático sistema aerométrico que a Parker introduziu em 1941 com a sua mítica «51». Muitos destes sistemas continuam ainda hoje a utilizar-se, oferecendo uma segurança e uma facilidade de utilização muito aceitáveis.

Parker Duofold, c. 1927
Imagem gentilmente cedida pela Battersea
Pen Home
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Sheaffer Balance, c. 1930
Imagem gentilmente cedida por Rick Conner (Penoply).

Inicialmente, todas as canetas eram pretas, geralmente feitas em borracha rígida. Foi George Parker que rompeu com esta tradição ao lançar em 1921 a sua enorme «Duofold», em vermelho bem vivo. Poucos anos mais tarde comoeçou a era dos plásticos, quando a Sheaffer começou a utilizar o celulóide para produzir canetas mais resistentes e coloridas. Nos anos trinta a  Parker «Vacumatic» lançou a moda dos corpos semi-transparentes, que permitiam verificar o nível da tinta.

Os anos 20 são considerados a "idade de ouro" das canetas de tinta permanente, com os seus aparos flexíveis e design clássico. No entanto, as canetas continuaram a ser um objecto de uso quotidiano, sem adversário até à comercialização em massa das esferográficas na década de 50 e, depois. das máquinas de escrever e computadores. Mesmo com esses concorrentes de peso, as canetas de aparo continuaram a ser utilizadas e encontraram mesmo novos mercados, redescobrindo-se como objecto de luxo e símbolos de status. Mas mais importante do que isso é tornar a encontrar o prazer da escrita, com uma caneta nova ou antiga, com um aparo que se molda à nossa forma de expressão, colocando a tinta das nossas ideias sobre o papel. Nestas páginas encontrará a história dos principais fabricantes de canetas e alguns dos seus modelos mais importantes, conduzindo-o pela história de um dos objectos fundamentais da Humanidade do Século XX.

Montblanc 149
Imagem gentilmente cedida por Rick Conner (Penoply).