
DELTA




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| Evolução dos Instrumentos de
Escrita |
Os
instrumentos mais utilizados para escrever, desde a
Idade Média até ao início deste século, foram simples penas de ave talhadas. Mas a sua
rápida degradação levou a que se procurassem alternativas mais
duráveis. As primeiras referências a tentativas de fazer plumas
em metal remontam ao Século XV, mas até ao Século XVIII só foi possível
produzir pesadas réplicas das penas de ave, inadequadas
para uma produção em massa. Só com a utilização do
aço, no Século XIX, é que os aparos metálicos
se generalizaram. Ainda assim, a sua ponta gastava-se depressa demais, pelo que se
começou a utilizar o rubi
na ponta dos aparos para que estes durassem mais,
o que tornava esses aparos muito caros. A descoberta do irídio, do ródio,
do ósmio e do paládio, metais especialmente resistentes que substituiam o
rubi, permitiu finalmente a produção em massa de
aparos duradouros e acessíveis. Para assegurar uma vida ainda maior a aparos
de alta qualidade, o ouro começou a ser usado em
substituição do aço. |

Imagem gentilmente cedida por David Nishimura (The Vintage Pens Website).
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Imagem gentilmente cedida por David Nishimura (The Vintage Pens Website).
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Paralelamente, desenvolveram-se esforços
para dotar as penas de um reservatório de tinta, que
as tornasse independentes do tinteiro. A referência mais antiga a
essas pesquisas consta num manuscrito egípcio do Século X, mas só
no Século XVII é que tiveram continuidade no mundo ocidental. Inúmeras patentes
foram registadas até ao final do Século XIX, mas nenhuma
conseguiu assegurar um fluxo de tinta seguro e regular, de forma a tornar possível uma escrita
tranquila. O problema, que residia na necessidade de assegurar a entrada de ar no
reservatório para substituir a tinta que saía, só encontrou solução nos anos 1880. Apesar de não
se poder considerar que tenha sido o inventor da "moderna" caneta de tinta permanente,
a verdade é que Lewis Edson Waterman registou em 1884 a patente de uma
caneta com reservatório e um alimentador de ebonite por baixo do aparo. A abundância
de aparos baratos que, precisamente nessa altura, se começou a verificar permitiu o desenvolvimento de
um novo negócio florescente: a fabricação de canetas de aparo com reservatório independente.
O
problema seguinte que essa
indústria teve de resolver foi encontrar uma forma
prática e limpa de encher o reservatório. A primeira solução adoptada
foi a mais simples: a caneta enchia-se com um conta-gotas,
sendo depois fechada tão hermeticamente quanto possível... Em seguida, as
canetas começaram a armazenar a tinta
dentro de um saco em material fléxivel. Com uma alavanca lateral
ou um botão no topo do corpo, esse saco era esvaziado, para
que depois sugasse tinta de um tinteiro, directamente pelo aparo.
Só que os sacos ao fim de algum tempo tinham tendência em romper-se,
com os inevitáveis resultados desastrosos. Foi por isso que
se desenvolveram vários sistemas alternativos, desde o "Vacumatic"
da Parker, ao enchimento por pistão dos contrutores alemães
Pelikan e Montblanc ou ao prático sistema aerométrico que a Parker
introduziu em 1941 com a sua mítica «51». Muitos destes sistemas
continuam ainda hoje a utilizar-se, oferecendo uma segurança e uma
facilidade de utilização muito aceitáveis.
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Imagem gentilmente cedida pela Battersea Pen Home.
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Imagem gentilmente cedida por Rick Conner (Penoply).
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Inicialmente, todas as canetas eram pretas, geralmente feitas em borracha
rígida. Foi George Parker que rompeu com esta tradição ao
lançar em 1921 a sua enorme «Duofold», em vermelho bem vivo. Poucos
anos mais tarde comoeçou a era dos plásticos, quando a
Sheaffer começou a utilizar o celulóide para produzir canetas
mais resistentes e coloridas. Nos anos trinta a Parker
«Vacumatic» lançou a moda dos corpos semi-transparentes, que
permitiam verificar o nível da tinta.
Os
anos 20 são considerados a "idade de ouro" das canetas
de tinta permanente, com os seus aparos flexíveis e design clássico. No
entanto, as canetas continuaram a ser um objecto de uso quotidiano,
sem adversário até à comercialização em massa das
esferográficas na década de 50 e, depois. das máquinas de
escrever e computadores. Mesmo com esses concorrentes de peso, as
canetas de aparo continuaram a ser utilizadas e encontraram mesmo
novos mercados, redescobrindo-se como objecto de luxo e símbolos de
status. Mas mais importante do que isso é tornar a
encontrar o prazer da escrita, com uma caneta nova ou antiga, com um
aparo que se molda à nossa forma de expressão, colocando a tinta
das nossas ideias sobre o papel. Nestas páginas encontrará a
história dos principais fabricantes de canetas e alguns dos seus
modelos mais importantes, conduzindo-o pela história de um dos
objectos fundamentais da Humanidade do Século
XX. |

Imagem gentilmente cedida por Rick Conner (Penoply).
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